quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Tanto a aprender

Ter tanto a aprender é bom, é instigante, não é nos dado como negativo, como culpa, estagnar-se é que foge as regras da existência.

Possuir dons é para o homem que assim procura se admitir. Ou seja, todos possuem qualidades em alguma área. Ao fazerem a percepção de uma condição acentuada, é preciso ter a paciência de aprimorá-la. É no cotidiano, com estudo, afinco, interesse, com as decepções e suas lições, bem como, com as descobertas que podem alargar o estreito horizonte. Que, como na natureza, onde nasce diuturnamente um ser mínimo e um grandioso e se põem ao natural, para seu recomeço no porvir.
Há tanto a aprender, só que, temos de entender essa verdade da forma positiva, e não com falta de esperança ou como ato punitivo. Caso fosse dessa maneira, os grandes pesquisadores, os desbravadores, descobridores não teriam ido à direção de novos caminhos para a humanidade. Tratariam essa conclusão como algo contrário e entrariam no mundo da incerteza, da culpa.
“A primeira coisa que se oferece ao homem ao contemplar-se a si próprio, é seu corpo, isto é, certa parcela de matéria que lhe é peculiar. Mas, para compreender o que ela representa a fixá-la dentro de seus justos limites, precisa compará-la a tudo o que se encontra acima ou abaixo dela. Não se atenha, pois, a olhar para os objetos que o cercam, simplesmente, mas contemple a natureza inteira na sua alta e plena majestosidade.” Blaise Pascal.

No entanto, para todo homem que procura viver positivamente, onde na realidade já entendeu como se processam as relações de vida, que caminhar para frente e com bons pensamentos não é somente uma forma de encarar a sua existência, pois leu em algum manual, mas, entendeu de verdade, com seus sentimentos como funciona essa engrenagem, correlacionando os seus instantes bons, com os menos positivos.
Abnegados seres já nos brindaram com seus exemplos de vida, ao apuramos como se formaram suas percepções, suas qualidades, notamos que foram quase como nós, só que perseveraram na forma de cultivar esperança, na paciência, tiveram afinco com o trabalho, acreditaram nos seus sonhos. Deixaram um legado farto, rico, proveitoso com seus saberes, exemplos, estudos, erros.
Ter tanto a aprender é bom, é instigante, não é nos dado como negativo, como culpa, estagnar-se é que foge as regras da existência. Ser volúvel não é o mesmo que possuir uma visão proveitosa de tudo aquilo que já vivenciou ou por essa vastidão, de tudo que ainda lhe falta conceber. Confunde-se uma mudança constante com volubilidade. Ao mudar toda vez que demanda para si uma nova informação e a usa para um proveito correto, não é o mesmo que mudar constantemente sem encontrar o certo valor daquilo que lhe foi proposto.
No entanto, aquele que esmorece ao ouvir que tem tanto a aprender, com certeza está nesse patamar de que os caminhos são longos, que o homem é mínimo e talvez demore muito ainda a se aprimorar. Claro que falta muito, mas o tempo nesse ínterim não é contado como em nossos relógios, diante do tempo já transposto pela humanidade.
Numa comparação, essas pessoas realmente ainda terão de andar o dobro do trajeto, precisam trilhar a evolução natural e, além disso, carregar o fardo da falta de esperança.
Acreditar que somos um grão de areia diante do infinito, da grandiosidade do que é o nosso universo e só, é ao mesmo tempo negar essa imponência e relegar o homem somente a coadjuvar a existência, bem como, nos sentirmos únicos e soberbos diante do desconhecido e dos outros seres vivos. A forma menos errada de entender essas verdades é a de que, se somos só um grão de areia, temos a importância de fazer parte desse todo, que se de grão em grão não os juntarmos, jamais teremos os altos cumes.
E ter tanto a aprender é para não deixar cair no esquecimento de que não somos maiores do que os outros seres vivos que coabitam conosco a imensidão desse planeta. Que ter essa proporção para aprender é para nos darmos conta da enormidade de obras a degustarmos. E ter noção de nosso correto valor.
“Que o homem, voltado para si próprio, considere o que ele é diante do que existe; que se encare como um ser extraviado neste pequeno setor da natureza, e que da pequena cela onde se acha preso, do universo, aprenda a avaliar em seu valor exato a terra, os reinos, as cidades e ele próprio. Que é um homem diante do infinito?” Blaise Pascal.
Se notarmos, os outros seres menores que o homem já sabem dentro de si do seu valor e cumprem seu papel, nascem e morrem, deixando seu rastro de vida como exemplo dessa naturalidade. Já o homem, não entendeu ainda qual é o seu valor. Durante a vida busca poderes maiores que os seus, ou julga-se menor, principalmente na hora da partida.
O homem é peça fundamental na evolução, que use o tanto a aprender, da melhor forma, usando em benefício do planeta, e não para saciar sua imensa sede de poder.